Onde
fazer o teste em São José do Rio Preto? |
CTA – Centro de Testagem
e Aconselhamento
Rua Ipiranga, 291 – Vila Esplanada – CEP 15015-520
Fone: 17 – 3231-8335 ou 17 – 3234-3393 UBS
– Unidade Básica de Saúde
Toda UBS de São José do Rio Preto faz o teste de hepatite
B e C Centro de Saúde Escola Parque Estoril
Rua Caetano Elzo Rogério, 1800 – Ouro Verde
Fone: 17 – 3229-1777 |
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Onde
procurar tratamento? |
Hospital Dia
Ambulatório Municipal de Hepatites Virais
Rua São Paulo, 1630 – Maceno – CEP 15060-035
Fone: 17 – 3225-5442 SAE – Serviço
de Atendimento Especializado
Rua Penita, 3351 – Redentora
Fone: 17 – 3225-6667 Hospital de Base
Avenida Brigadeiro Faria Lima, 5544 – Vila São Pedro
Fone: 17 3201-5000 – ramal 1266 |
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Histórico
da Doença |
O termo “icterícia epidêmica”,
que pode estar ligado a Hepatite A, entre outras afecções
que causam este sinal, já aparece mencionado nos escritos de
Hipócrates, na Grécia, no século V. Já
no século VIII, carta enviada pelo Papa Zacarias a São
Bonifácio, recomendava que os pacientes com icterícia
fossem isolados dos outros sem doença, já mostrando
o caráter infeccioso da doença.
Já no período contemporâneo, durante a campanha
de vacinação antivariólica, ocorreram vários
casos de icterícia em trabalhadores alemães (1883),
que foram vacinados com lotes de vacina produzido a partir de plasma
humano (um dos componentes do sangue); esta foi a primeira citação
sobre a correlação de hepatite com transmissão
através do sangue, que foi denominada soro homóloga
ou parenteral. No Séc. XX, nas décadas de 30 e 40, várias
publicações relatavam a ocorrência de icterícia
após vacinação contra febre amarela, também
produzida utilizando plasma humano, e após transfusão
de sangue ou de hemoderivados. Casos de icterícia que ocorreram
durante a II Guerra Mundial estavam associados ao enorme número
de transfusões sanguíneas ocorrido no período.
Parte destes quadros podia ser devido às precárias condições
de saneamento, que propiciam a transmissão das hepatites de
transmissão fecal oral. Na década de 50 em Nova Delhi,
Índia, ocorreu vários casos de hepatite ictérica
após contaminação de água com esgoto,
parecendo, portanto, dever-se à este mesmo tipo de infecção.
Também é desta década os primeiros relatos de
icterícia em indivíduos que faziam uso de drogas injetáveis.
Nos anos 70, quando o vírus que causava a hepatite soro homóloga
já havia sido identificado, denominado vírus da hepatite
B (VHB), sugiram os primeiros relatos levantando a hipótese
de transmissão sexual por ele. Isto foi devido à observação
empírica da alta prevalência da infecção
em heterossexuais ou homossexuais masculinos portadores de doença
sexualmente transmissível, e em parceiros sexuais de portadores
do vírus B.
O primeiro vírus de transmissão oral fecal identificado
foi o vírus da hepatite A em 1973 e em 1988 o vírus
da hepattite E, até então denominado vírus de
Não A Não B de transmissão entérica. Em
1977 foi identificado o agente Delta, componente de vírus que
necessita do VHB para se multiplicar, agravando o quadro clínico
quando a infecção ocorre em um individuo que já
é portador do vírus B ou determinando quadro mais grave
quando a infecção pelo vírus B e delta ocorre
ao mesmo tempo.
Apesar da descoberta de todos estes agentes continuavam a ocorrer
casos de hepatites de transmissão sangüínea com
nenhum vírus identificado. Somente em 1989 foi clonado o genoma
do vírus responsável, que foi denominado de vírus
da hepatite C (VHC).
O crescimento da urbanização e o não acompanhamento
de infra-estrutura correspondente em termos de saneamento básico
e habitação possibilitaram uma grande disseminação
da hepatite A. Ao mesmo tempo os acidentes de trânsito e a medicalização
da sociedade contribuíram para o crescimento da transmissão
da Hepatite B e C. Soma-se a isto a disponibilização
de métodos diagnósticos para identificação
dos agentes causadores e um problema de saúde pública
aflora.
Em resposta a este quadro as primeiras medidas preventivas voltadas
para a transmissão por injeção e transfusão
de sangue foram tomadas e em 1978 foi publicado o decreto 12.479 de
18 de outubro, onde foi definido como obrigatórias a realização
de sorologia para hepatite B, além da sífilis e chagas
nos hemocentros. A partir da década de 90, com a disponibilidade
de testes comerciais para identificação do vírus
C, tornou-se obrigatória a inclusão da triagem sorológica
também para este vírus. |
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Informações
Gerais - O que todos devem saber |
O que são?
Doença provocada por diferentes tipos de vírus, com
características epidemiológicas, evolução
clínica, imunológicas e laboratoriais distinta.
A distribuição das diferentes formas de hepatite é
heterogênea, tanto no Mundo como no Brasil, Sendo que a Região
Norte, Espírito Santo e Oeste de Santa Catarina são
os que apresentam a maior prevalência de hepatite B
Qual a causa?
As características dos principais vírus hepatotrópicos
(tropismo pelo fígado) são:
VHA: período de incubação curto, não cronifica,
e na maioria das vezes tem evolução benigna, para cura.
VHB: Dependendo da idade da infecção o paciente evolui
para cronicidade num percentual que varia de 10 a 90%, se a infecção
foi na depois dos cinco anos ou antes dos 5 anos respectivamente
VHC: A cronificação ocorre em mais de 80%
VHDelta – associado ao VHB agrava o quadro clínico do
paciente com evolução mais rápida para cirrose
ou câncer de fígado.
VHE- pode determinar quadro grave em mulheres gestantes,
Hepatite F - Hepatites French Origin (HFV), demonstrado: Inglaterra,
França, USA, Índia, Itália
Quais os sintomas?
As hepatites podem ou não apresentar sintomas. Quando presentes,
os sintomas são os seguintes: mal-estar, cefaléia (dor
de cabeça), febre baixa, anorexia (falta de apetite), astenia
(cansaço), fadiga, artralgia (dor nas articulações),
náuseas, vômitos, prurido (coceira), desconforto abdominal
na região do fígado e aversão a alguns alimentos
e cigarro. A icterícia (coloração amarela nos
olhos, tecidos e secreções orgânicas) geralmente
inicia-se quando a febre desaparece e pode ser precedida por colúria
(urina escura) e hipocolia fecal (descoloração das fezes).
Hepatomegalia (aumento do fígado) ou hepatoesplenomegalia (aumento
do fígado e do baço) também podem estar presentes.
Como se transmite?
Varia de acordo com o agente etiológico. As hepatites A e E
a transmissão é fecal-oral, através de água
e alimentos contaminados, pessoa a pessoa (contato intrafamiliar e
institucional). As hepatites B e D podem ser transmitidas pela via
sexual, parenteral (sangue), pelo compartilhamento de objetos para
higiene pessoal (alicates de unha, lâminas de barbear, escova
de dente), para confecção de tatuagens e piercings.
Através de procedimentos cirúrgicos e odontológicos
sem a adequada biosegurança. A mãe infectada pode passar
para o bebê através da transmissão perinatal.
Em todo o mundo, a principal fonte de contaminação da
hepatite C na atualidade é o uso de drogas injetáveis
de forma compartilhada; outras importantes fontes de contaminação
são a realização de transfusões de sangue
sem realização do teste de detecção, o
uso de instrumentos perfuro cortantes sem esterilizar (agulhas de
injeção, instrumentos de manicura, pedicuro, dentista,
acupuntura, tatuagens, etc).
Como tratar?
Não existe tratamento específico para a forma aguda.
Se necessário, apenas sintomático para náuseas,
vômitos e prurido. Como norma geral, recomenda-se repouso. Dieta
pobre em gordura e rica em carboidratos é de uso popular, porém
seu maior benefício é ser mais agradável para
o paciente anorético. De forma prática, deve ser recomendado
que o próprio paciente defina sua dieta de acordo com seu apetite
e aceitação alimentar. A única restrição
está relacionada à ingestão de álcool,
que deve ser suspensa por seis meses no mínimo e, preferencialmente,
por um ano. Medicamentos não devem ser administrados sem recomendação
médica para que não agrave o dano hepático. As
drogas consideradas "hepatoprotetoras", associadas ou não
a complexos vitamínicos, não tem nenhum valor terapêutico.
As hepatites B e C têm rotina terapêuticas específicas,
disponíveis no Sistema Único de Saúde.
Como se prevenir?
O conhecimento das formas de transmissão das Hepatites virais
pode interromper a cadeia de transmissão destes vírus
através de uma ampla e maciça divulgação
das formas de transmissão e modos de prevenção
desses vírus. Existem diferentes formas de prevenção
e elas variam de acordo com o tipo de vírus. A hepatite A tem
como medidas de prevenção os cuidados com a higiene
pessoal – como lavar as mãos após ir ao banheiro,
antes de preparar alimentos e antes das refeições, beber
água tratada, além de lavar e desinfetar alimentos a
serem consumidos crus como: frutas e vegetais. A melhoria do saneamento
básico é importante para o controle da infecção.
A hepatite B tem como medidas de prevenção: a vacinação,
que confere imunidade efetiva em até 95% dos indivíduos
jovens que recebem corretamente as três doses necessárias,
o uso de preservativos nas relações sexuais, o uso das
normas adequadas de biossegurança para procedimentos cirúrgicos
e odontológicos, o não compartilhamento de objetos de
uso pessoal (escovas de dente, lâminas de barbear, alicates
de unha) e dos materiais utilizados para uso de drogas injetáveis
e inaladas (canudinho, cachimbo, seringas etc). Para a prevenção
da hepatite C, utilizam-se os mesmos cuidados da hepatite B, com a
diferença de não existir vacina contra a hepatite C.
As medidas de prevenção da hepatite D são as
mesmas da B, já que ela é adquirida apenas por pessoas
que tiveram a B, vindo para agravá-la. |
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Informações
para profissionais de saúde: Características Clínicas
e Epidemiológicas |
Doença provocada por diferentes tipos de vírus que tem
tropismo pelo fígado, com diferentes características
epidemiológicas, de evolução clínica,
imunológicas e laboratoriais.
As hepatites virais tem distribuição heterogênea
nas diferentes regiões do Universo, sendo que no Brasil os
casos de hepatite pelo vírus B se concentram mais na região
Norte (Amazônia Legal)
Agente Etiológico:
Hepatite F - Hepatites French Origin (HFV)
DNA dupla-hélice
Demonstrado: Inglaterra, França, USA, Índia, Itália
Reservatório:
O homem é o único com importância epidemiológica.
A hepatite E ainda admite alguns outros reservatórios, como
porco, macaco e ratões, mas estão sendo feitas pesquisas
em relação a isso.
Modo de transmissão:
Varia de acordo com o agente etiológico. Os vírus das
hepatites B, C e D são transmitidos por via parenteral e os
da hepatite B também podem ter transmissão sexual e
vertical (mãe-filho). As hepatites A e E têm transmissão
fecal-oral.
Período de incubação:
- para hepatite A, de 15 a 45 dias;
- para hepatite B, de 30 a 180 dias;
- para hepatite C, de 15 a 150 dias;
- para hepatite D, de 40 a 180 dias;
- para hepatite E, de 28 a 48 dias.
Período de transmissibilidade:
- na hepatite A, 15 dias antes dos sintomas até 7 dias após
o início da icterícia
- na hepatite B, Semanas antes do início dos sintomas até
o desaparecimento destes (forma aguda) ou enquanto persistir o antígeno
de superfície do vírus B - HBsAg (forma crônica
e portador)
- na hepatite C, Semanas antes do início dos sintomas persistindo
por período indefinido (enquanto houver circulação
viral);
- na hepatite D, Semanas antes do início dos sintomas persistindo
por período indefinido (enquanto houver circulação
viral);
- na hepatite E, desconhecido.
Diagnóstico Diferencial:
O perfil epidemiológico da região orienta a lista de
enfermidades que devem ser consideradas no diagnóstico. Na
abordagem inicial das doenças que cursam com ictericia, as
hepatites virais devem ser sempre lembradas, tendo como diagnóstico
diferencial a: leptospirose, febre amarela, malária, dengue,
sepsis, citomegalovírus e mononucleose; doenças hemolíticas;
obstruções biliares; uso abusivo de álcool; o
uso de alguns medicamentos e substâncias químicas.
Diagnóstico Laboratorial:
Os exames laboratoriais inespecíficos, podem indicar agressão
hepática, que pode ser causada pelos agentes das hepatites
virais, porém o agente etiológico só pode ser
confirmado com exames específicos através de testes
sorológicos.
-os exames inespecíficos incluem as dosagens de aminotransferases-ALT/TGP
e AST /TGO-que denunciam lesão do parênquima hepático.
O nível de ALT pode estar três vezes maior que o normal,
podendo atingir até mais de 2.000UI/l. As bilirrubinas são
elevadas e o tempo de protrombina pode estar diminuído (TP>17s
ou INR>1,5) indicando gravidade. Outros exames podem estar alterados,
como a glicemia e a albumina (baixas).
- os exames específicos são feitos através da
identificação dos marcadores sorológicos:
Hepatite A : Anti-HAV IgM
A presença deste marcador é compatível com infecção
recente pelo HAV, confirmando o diagnóstico de hepatite aguda
A. Este marcador surge precocemente na fase aguda da doença,
começa a declinar após a segunda semana e desaparece
após 3 meses.
Hepatite B: HBsAg e Anti HBc
HBsAg é o primeiro marcador a surgir após a
infecção pelo HBV, em torno de 30 a 45 dias e pode permanecer
detectável por até 120 dias. Está presente nas
infecções agudas e crônicas.
Anti-HBc é um marcador que indica contato prévio com
o vírus. Permanece detectável por toda a vida nos indivíduos
que tiveram a infecção (mesmo naqueles que não
cronificaram, ou seja, eliminaram o vírus). Representa importante
marcador para estudos epidemiológicos.
Hepatite C: Anti-HCV é o marcador de triagem para
a hepatite C. Indica contato prévio com o vírus, mas
não define se a infecção é aguda, crônica
ou se já foi curada. O diagnóstico de infecção
aguda só pode ser feito com a viragem sorológica documentada,
isto é, paciente inicialmente anti-HCV negativo que converte,
tornando-se anti-HCV positivo e HCV-RNA positivo, detectado por técnica
de biologia molecular. A infecção crônica deve
ser confirmada pela pesquisa de HCV-RNA.
HCV-RNA (RNA do HCV) é o primeiro marcador a aparecer
entre uma a duas semanas após a infecção. É
utilizado para confirmar a infecção em casos crônicos,
monitorar a resposta ao tratamento e para confirmar resultados sorológicos
indeterminados, em especial em pacientes imunossuprimidos.
Hepatite D: anti-HDV
O marcador sorológico mais usado é o anti-HDV (total).
O vírus delta é um vírus defectivo (incompleto)
que não consegue, por si só, reproduzir seu próprio
antígeno de superfície, o qual seria indispensável
para exercer sua ação patogênica e se replicar
nas células hepáticas. Desta forma, necessita da presença
do vírus B, havendo duas possibilidades para a ocorrência
da infecção pelo HDV:
Superinfecção: Infecção pelo
vírus delta em um portador crônico do HBV.
Co-infecção: infecção simultânea
pelo HBV e Delta em individuo suscetível.
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Tratamento |
HEPATITE AGUDA
Não existe tratamento específico para as formas agudas.
Se necessário, apenas tratamento sintomático para náuseas,
vômitos e prurido. Como norma geral, recomenda-se repouso relativo
até a normalização das aminotransferases. Dieta
pobre em gordura e rica em carboidratos é de uso popular, porém
seu maior beneficio é ser mais agradável ao paladar
ao paciente anorético. De forma prática, deve ser recomendado
que o próprio paciente defina sua dieta de acordo com seu apetite
e aceitação alimentar. A única restrição
está relacionada á ingestão de álcool,
que deve ser suspensa por no mínimo seis meses. Medicamentos
não devem ser administrados sem a recomendação
médica para que não agrave o dano hepático. As
drogas consideradas “hepatoprotetoras”, associadas ou
não a complexos vitamínicos não têm nenhum
valor terapêutico.
HEPATITE CRÔNICA É necessária a
realização de biópsia hepática para avaliar
a indicação de tratamento específico. A biópsia
por agulha é a preferida, pois permite a retirada de fragmentos
de áreas distantes da cápsula de Glisson (as áreas
subcapsulares mostram muitas alterações inespecíficas).
Além disso, a biópsia transcutânea dispensa anestesia
geral e reduz o custo do procedimento. O procedimento deve ser realizado
com agulhas descartáveis apropriadas. O exame anátomo-patológico
avalia o grau de atividade necro-inflamatória e de fibrose
do tecido hepático.
As formas crônicas da hepatite B e C têm diretrizes clínico-terapêuticas
definidas por meio de portarias do Ministério da Saúde.
Devido à alta complexidade do tratamento, acompanhamento e
manejo dos efeitos colaterais, ele deve ser realizado em serviços
especializados (média ou alta complexidade do SUS). |
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Vigilância
Epidemiológica |
| Tem como objetivo geral controlar as hepatites
virais no Brasil e como objetivos específicos o conhecimento
do comportamento epidemiológico das hepatites virais em função
de tempo, agente etiológico, pessoa e lugar, identificação
dos principais fatores de risco para as hepatites virais, ampliação
das estratégias de imunização, detecção,
prevenção e controle dos surtos da doença, redução
da prevalência de infecções dos tipos B e C e
a avaliação do impacto das medidas de controle. |
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Notificação |
| Tem notificação compulsória
e todos os casos devem ser notificados na ficha do SINAN e encaminhados
ao órgão responsável pela vigilância epidemiológica
local. |
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Situação
da doença no Brasil |
As hepatites virais apresentam distribuição
universal e magnitude variável de acordo com a região
do País. As hepatites A e E apresentam alta prevalência
nos países em desenvolvimento, onde as condições
sanitárias e socioeconômicas são precárias.
A prevalência de hepatite B tem sido reduzida em países
onde a vacinação foi implementada, porém permanece
alta em populações de risco acrescido e em países
onde a transmissão vertical e horizontal intradomiciliar não
é controlada. A Organização Mundial de Saúde
estima que cerca de dois bilhões de pessoas já tiveram
contato com o vírus da hepatite B, tornando 325 milhões
de portadores crônicos. A prevalência de hepatite C, com
base em dados de pré-doadores de sangue, pode variar entre
índices menores que 1% em países como Reino Unido, Escandinávia,
Nova Zelândia e algumas áreas do Japão, ou chegar
a altas taxas, como 14% no Egito, sendo de 26% no Cairo. Em geral,
a infecção pelo vírus da hepatite D ocorre em
área com prevalência moderada a alta de hepatite B crônica,
visto que o vírus delta depende do vírus B para ser
infectante. As maiores prevalências de hepatite delta ocorrem
no sul da Itália e em algumas áreas da ex-URSS e África,
além da Bacia Amazônica.
Para o Brasil, a Organização Pan-Americana de Saúde
(OPAS) possui estimativa de infecção pelo HAV de aproximadamente
130 casos novos por 100 mil habitantes ao ano e de que mais de 90%
da população maior de 20 anos tenha tido exposição
ao vírus. Entretanto, com as melhorias nas condições
de saneamento, alguns estudos têm demonstrado um acúmulo
de pessoas suscetíveis em adultos jovens acima de 20 anos.
Alguns estudos do final da década de 80 e início dos
anos 90 sugeriram uma tendência crescente do VHB em direção
às Regiões Sul e Norte. Assim, considerava-se que ocorriam
três padrões de distribuição da hepatite
B: alta endemicidade, com prevalência superior a 7%, presente
na Região Amazônica, alguns locais do Espírito
Santo e oeste de Santa Catarina; endemicidade intermediária,
com prevalência entre 2% e 7% nas Regiões Nordeste, Centro-Oeste
e Sudeste; e baixa endemicidade, com prevalência abaixo de 2%,
na Região Sul do País. No entanto, esta infecção
é muito dinâmica e variável. Com a implementação
de campanhas de vacinação contra hepatite B em algumas
regiões do Estado do Amazonas, desde 1989, e a implantação
da vacina em menores de 1 ano e em menores de 15 anos nos anos de
1991 e 1996 respectivamente, este padrão vem se modificando
na região, como atestam estudos mais recentes. Na região
de Lábrea, Estado do Amazonas, a taxa de portadores do VHB
passou de 15,3% em 1988 para 3,7% em 1998. Na região de Ipixuna,
a queda foi de 18% para 7%. No ano de 1992 implantou-se a vacinação
no Estado do Acre para as mesmas faixas etárias e em 1993,
para o restante da Amazônia Legal. Esta ação também
teve impacto naquele estado, que em estudo de base populacional em
12 de seus 24 municípios apresentou a taxa de HBsAg de 3,4%.
Outros trabalhos também classificam a Região Norte como
de baixa ou moderada endemicidade, permanecendo com alta endemicidade
a região sudeste do Pará.
Em 1993 foi implantada a vacinação para menores de 4
anos nos estados de Santa Catarina, Espírito Santo e Paraná,
redefinida em 1996 para menores de 15 anos, e no mesmo ano, no restante
do País para menores de 1 ano. Na Região Sul, categorizada
como de baixa endemicidade, permanecem com prevalência moderada
a região oeste de Santa Catarina e alta endemicidade o oeste
do Paraná, que teve a faixa etária para a vacinação
estendida para menores de 15 anos em 1998.
A Região Sudeste como um todo apresenta baixa endemicidade,
com exceção do sul do Espírito Santo e do nordeste
de Minas Gerais, onde ainda são encontradas altas prevalências.
A Região Centro-Oeste é de baixa endemicidade, com exceção
do norte de Mato-Grosso, com prevalência moderada. O Nordeste
como um todo está em situação de baixa endemicidade.
Com o objetivo de encurtar cortes de suscetíveis para a infecção
pelo VHB, a imunização contra a hepatite B foi estendida
em todo o território para a faixa de até 19 anos. Quanto
à hepatite C, ainda não existem estudos capazes de estabelecer
sua real prevalência no País. Com base em dados da rede
de hemocentros de pré-doadores de sangue, em 2002 a distribuição
variou entre as regiões brasileiras: 0,62% no Norte, 0,55%
no Nordeste, 0,28% no Centro-Oeste, 0,43% no Sudeste e 0,46% no Sul.
Um dos poucos estudos de base populacional realizados no País
revelou 1,42% de portadores de Anti-HCV na cidade de São Paulo.
Resultado semelhante foi obtido em um estudo de soroprevalência
realizado em Salvador, com 1,5% de portadores de Anti-HCV. Atualmente,
a transmissão da hepatite C via transfusão sanguínea
e hemoderivados é rara; porém esta forma de contágio
teve grande importância nos anos precedentes a 1993, quando
foi instituída a testagem em bancos de sangue após a
disponibilização de kits comerciais.
Em 2004 e 2005, inquérito soroepidemiológico de base
populacional será realizado nas capitais brasileiras, levantando
prevalência das hepatites A, B e C, e fatores associados nas
macro-regiões brasileiras.
A hepatite Delta concentra-se na Amazônica Ocidental, que apresenta
uma das maiores incidências do mundo deste agente. O vírus
da hepatite Delta é responsável por surtos epidêmicos
ictero-hemorrágicos e também pela alta prevalência
de hepatopatias crônicas e hepatocarcinoma entre portadores.
Acredita-se que a Amazônia ofereça condições
ambientais, sociais, culturais e aspectos genéticos da população
que contribuam para a circulação viral do VHD. Em estudo
recente no Acre, a prevalência encontrada de anti-delta foi
de 1,3%. Nas Regiões Sudeste, Nordeste e na Amazônia
Oriental, a infecção está ausente.
O VHE é importante causador de surtos e desenvolve quadros
graves principalmente em gestantes. No Brasil, apesar de apresentar
condições sanitárias deficientes em muitas regiões,
ainda não foi descrita nenhuma epidemia pelo HEV. Alguns casos
isolados têm sido notificados, demonstrando que há circulação
deste vírus no País.
A vigilância epidemiológica das hepatites virais no Brasil
utiliza o sistema universal e passivo, baseado na notificação
de casos suspeitos. O número de notificações
não reflete a real incidência da infecção,
pois a maioria dos acometidos apresenta formas assintomáticas
ou oligossintomáticas, sendo dificilmente captados. Estados
e municípios estão em diferentes estágios de
implantação, refletindo diferentes níveis de
sensibilidade e de capacitação das equipes das vigilâncias
epidemiológicas. |
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Série
Histórica |
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Como
se prevenir? |
O conhecimento das formas de transmissão
das Hepatites virais pode interromper a cadeia de transmissão
destes vírus através de uma ampla e maciça divulgação
das formas de transmissão e modos de prevenção
desses vírus. O vírus da hepatite B é 100 vezes
mais infeccioso que o vírus da AIDS; pode sobreviver por até
sete dias fora do organismo, inclusive numa superfície seca.
Existem diferentes formas de prevenção e elas variam
de acordo com o tipo de vírus. A hepatite A tem como medidas
de prevenção os cuidados com a higiene pessoal –
como lavar as mãos após ir ao banheiro, antes de preparar
alimentos e antes das refeições, beber água tratada,
além de lavar e desinfetar alimentos a serem consumidos crus
como: frutas e vegetais.
A melhoria do saneamento básico é importante para o
controle da infecção. A hepatite B tem como medidas
de prevenção: a vacinação, que confere
imunidade efetiva em até 95% dos indivíduos jovens que
recebem corretamente as três doses necessárias (os ensaios
clínicos sobre vacina contra a hepatite B iniciaram-se no final
da década de 70 inicio da 80, sendo que sua eficácia
foi demonstrada em clássico estudo com população
de homossexuais masculinos em 1980), o uso de preservativos nas relações
sexuais, o uso das normas adequadas de biossegurança para procedimentos
cirúrgicos e odontológicos, o não compartilhamento
de objetos de uso pessoal (escovas de dente, lâminas de barbear,
alicates de unha) e dos materiais utilizados para uso de drogas injetáveis
e inaladas (canudinho, cachimbo, seringas etc). Para a prevenção
da hepatite C, utilizam-se os mesmos cuidados da hepatite B, com a
diferença de não existir vacina contra a hepatite C.
As medidas de prevenção da hepatite D são as
mesmas da B, já que ela é adquirida apenas por pessoas
que tiveram a B, vindo para agravá-la. |
Acesse o site do Conselho
Municipal de Saúde de S. J. do Rio Preto para maiores
informações.
Fonte: Programa Nacional de Hepatites Virais
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