Travestis e transexuais celebram ‘Dia Nacional de Visibilidade T’
   segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
 

Conhecidas pela sigla “T”, pela primeira vez na cidade, cerca de 200 travestis e transexuais de Rio Preto pretendem marcar o dia 29 de janeiro, dia nacional de visibilidade desses dois segmentos, com uma agenda de visitas em várias instâncias de representação do poder executivo e legislativo, além de imprensa, segurança pública, imprensa e associações de classe.
A data foi instituída em 2004, quando foi lançada no Congresso Nacional a campanha do Ministério da Saúde: “Travesti e Respeito: já está na hora dos dois serem vistos juntos em casa, na escola, na boate e na vida”. A partir daí, os estados e municípios foram orientados a seguirem e pactuarem os objetivos dessa campanha que vem sensibilizando educadores e profissionais da saúde para às questões antidiscriminatórias e de inclusão.

De acordo com Brunna Valin, da diretoria da Associação Riopretense de Travestis e Transexuais e Simpatizantes (ARTT´S), um grupo de dez representantes estarão agendando visitas e reuniões em várias secretarias municipais, entre elas a Saúde, Cultura, Comunicação, Educação e Assistência, com o objetivo sensibilizar os gestores destas pastas para as questões da travestilidade e transexualidade. “Queremos apresentar a nossa situação e demandas à Secretaria da Mulher, pois queremos ser incluídas dentro da perspectiva de políticas públicas para o gênero feminino, e também queremos nos apresentar ao prefeito Valdomiro Lopes”, complementa Brunna, que também é a atual vice-presidente do Conselho Municipal de Saúde.

Brunna explica que foi feito um calendário de visitas que inclui ainda a Acirp, Câmara Municipal, vários conselhos, redações de TV e jornal, e Polícia Militar. Segundo ela, a idéia é desmistificar a figura da travesti; a ligação imediata à prostituição e à aids. “Nós travestis e transexuais não somos ‘seres noturnos, seres do sexo’, pagamos impostos como qualquer outra pessoa e somos profissionais em diversas áreas e parte integrante de uma comunidade que ainda nos coloca à sua margem. Na hora e pagar tributos nunca somos esquecidas, mas depois disso somos excluídas. Essa barbárie não pode mais continuar. Todos são iguais perante à lei, sem distinção de qualquer natureza”, diz.

A presidente da ARTT´S, Márcia Camilo, analisa que a sociedade em geral ainda não entendeu que o processo de marginalização das travestis e transexuais é uma via de mão dupla; de causa e efeito sobre toda uma comunidade, e que todos são responsáveis; governo e sociedade. “A aversão e preconceito que nos exclui das escolas e mercado de trabalho, também leva muitas das travestis à prostituição como única forma de sobrevivência”, complementa Márcia.

Para finalizar a agenda comemorativa ao dia 29 de janeiro, um grupo de travestis e transexuais também irão percorrer locais de socialização como cinemas, bares, teatro shoppings e restaurantes. Ainda no dia 29, cerca de vinte travestis e transexuais farão um almoço de confraternização na churrascaria Farropilha. “Por preconceito não temos acesso a esses locais de cultura e entretenimento. Numa época em que o mundo celebra 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, isto não é uma selvageria?”, questiona Márcia.

Contato:
Alessandro Melchior
3014 9343 - 3012 4657
8808 8183

Brunna Valin
Tel: 17 – 9735 6439
 
 
Fonte: ARTT´S
 
voltar ao índice