| sábado, 14 de julho de 2007 | ||
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Ativistas franceses e brasileiros reunidos no Seminário Brasil França são unânimes quanto aos efeitos nocivos da discriminação na qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV/AIDS. Unidos a eles, pesquisadores e representantes de organizações governamentais e não-governamentais dos dois países discutiram, em Brasília, de 11 a 13 de julho, formas de reduzir a discriminação e o preconceito. Eles trocaram experiências de ações e estudos que apontem para um caminho que mude a realidade atual. Vincent Pelletier, ativista francês e representante da organização não-governamental AIDES, vive com HIV e acredita que a discriminação é mais difícil que o tratamento. “A epidemia de estigmas muitas vezes tem mais impacto na sociedade que a própria doença”. O representante do Grupo de Incentivo à Vida (SP), Hugo Hagstrom, destacou que o preconceito existe em vários segmentos da sociedade. “Muitas pessoas são colocadas para fora de casa e sentem os danos da discriminação na sua relação com amigos, família, trabalho. Muitas delas morreram não pela aids, mas pelo abandono, a depressão e outras conseqüências sociais da epidemia”. A discriminação nos serviços de saúde também foi citada pelo ativista brasileiro José Marcos de Oliveira. Ele lembrou como era forte o medo da infecção entre os profissionais de saúde no início da epidemia. Outro ativista francês, Fabrice Clouzeau, trouxe o depoimento de uma pessoa que temia que o médico que a acompanhava soubesse da sua sorologia e se negasse a tratá-la. Além do impacto para a saúde pública, a discriminação implica num risco aos direitos humanos. “Não respeitá-los pode destruir progressos feitos ao longo do ano nesse campo”, disse Vincent. Para ele, alguns fatores podem aumentar essa discriminação, como responsabilizar o outro por ter a doença, ter a aids como forma de punição, sentir medo de ser infectado e o sentimento de impotência diante da sorologia positiva. Professor da Universidade de Brasília e um dos pesquisadores que participou do programa de estágio entre Brasil e França, Mário Ângelo Silva estudou o impacto da discriminação. “O preconceito está relacionado ao desconhecimento das formas de infecção pelo vírus, do medo de ser infectado. Hoje temos mais informação que antes, mas o estigma permanece. É preciso mudar isso porque quem sofre a discriminação se auto-exclui e se marginaliza, tornando-se mais vulnerável”. Jacqueline Côrtes, que faz parte do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas e da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+), concorda com o professor, mas acha que é preciso a pessoa se sentir valorizada. Ela vive com aids há 13 anos e percebe que passa por dificuldades assim como quem tem diabetes, câncer ou alguma deficiência. “A discriminação é focada e surge quando a gente se esconde, não somos transparentes. É preciso estar preparado para essa revelação, mas ela também nos fortalece”. A parceria entre governo, pesquisadores e ativistas brasileiros e franceses existe há 17 anos e o seminário é uma das formas de intercâmbio de experiência entre esses profissionais. O Seminário é uma promoção do Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de DST e Aids, em parceria com a Embaixada da França no Brasil. Mais informações Programa Nacional de DST e Aids Assessoria de Imprensa Telefones: (61) 3448-8100 / 8088 / 8106 Fax: (61) 3448-8090 E-mail: imprensa@aids.gov.br |
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| Fonte: Ministério da Saúde - PN DST/Aids | ||