Ministro da Saúde recebe ativistas no Dia da Visibilidade Travesti
   terça-feira, 29 de janeiro de 2008
 

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, recebeu nesta terça-feira (29), em seu gabinete, em Brasília (DF), um grupo de representantes das travestis, que apresentou um documento com reivindicações do segmento no campo da saúde. É a primeira vez que um ministro da Saúde se reúne com as travestis para ouvir as demandas desta população. A audiência marcou as atividades do Dia da Visibilidade das Travestis, comemorado desde 2004, em todo o País, no dia 29 de janeiro.

“Vocês têm de ser atendidas na rede como todo mundo, não podemos criar guetos”, afirmou o ministro ao ouvir da Keila Simpson, presidente da Articulação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), as necessidades do grupo. Entre elas estão a humanização do atendimento às travestis nos serviços de saúde públicos; a ampliação de pesquisas sobre uso de hormônios femininos nas travestis e as conseqüências para a saúde delas; e a atenção a outras demandas de saúde relacionadas, por exemplo, à tuberculose, saúde mental e hepatites.

O ministro se mostrou empenhado em levar as necessidades do grupo para o Comitê Técnico de Saúde GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). Também propôs que as demandas sejam apresentadas no Conselho Nacional de Saúde para, futuramente, serem pactuadas pelas três esferas de governo.

Atividades - Como parte das comemorações, o Programa Nacional de DST e Aids realizou nos dias 28 e 29 de janeiro, em Brasília, a Reunião de Avaliação do Projeto Tulipa. O objetivo do evento foi apresentar um panorama dos avanços e desafios do Projeto Tulipa em todo o território nacional, quando foram discutidas as perspectivas para as ações de prevenções de DST e aids junto às travestis.

O Dia da Visibilidade Travesti é uma referência ao lançamento da primeira campanha de cidadania desenvolvida especificamente para a comunidade. A campanha “Travesti e Respeito” foi lançada pelo Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde, em 2004, com o objetivo de sensibilizar os educadores e profissionais de saúde e motivar travestis e transexuais para a cidadania e auto-estima. “Há grande importância nessa data, pois é com ela que travestis e transexuais reafirmam sua identidade de gênero”, defende Keila Simpson. “Também pagamos impostos e queremos políticas públicas de educação, segurança, saúde, lazer, cultura e direitos humanos”, ressalta.

O Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de DST e Aids, apóia a realização do Projeto Tulipa. O objetivo do projeto é identificar e fortalecer as lideranças de travestis e transexuais, capacitando-as para o trabalho em prevenção do HIV e garantia dos direitos humanos. O projeto está organizado em cinco centros regionais e uma coordenação nacional, sob a responsabilidade da ANTRA, que representa mais de 40 instituições filiadas nas cinco regiões brasileiras.

Para Tathiane Araújo, secretária da ANTRA, o preconceito ainda é uma questão importante. “Muitas sonham em se formar, em arrumar um emprego, mas o mercado não aceita receber travestis para modelos, recepcionistas, secretárias, área de telemarketing, vendedoras”, declara Tathiane. “Algumas conseguem vencer com uma cota de sacrifício pessoal muito alta, enfrentando muito preconceito e violência social”, acrescenta.

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Fonte: Ministério da Saúde - PN DST/Aids
 
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