| sexta-feira, 16 de maio de 2008 | ||
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17 de maio é o dia em que a comunidade GLBT relembra aquilo que há de mais perverso na vida de milhões de pessoas, mundo afora: a homofobia. É claro que sempre haverá o que dizem, "ah, esse povo exagera! Hoje eles vivem bem, até em novela das oito eles estão." E eis nessa fala um sinal da homofobia cordial: a partir do momento que 'estas pessoas' aparecem nos produtos adorados pela sociedade pós-moderna, considera-se isso prova irrefutável de uma suposta aceitação. Basta, porémm, que o filho ou filha diga, "sou gay" ou "sou lésbica" e tudo muda de figura, o mundo estremece e a trágica e dura realidade se impõe. A homofobia - a aversão e o ódio sistemáticos contra quem não cumpre a normal heterossexual imposta a todas e todos - é como um polvo: tem vários tentáculos e se manifesta de múltiplas maneiras, não apenas quando alguém é xingado ou agredido por alguém ou por um grupo, sejam skinheads ou pessoas intolerantes, este é o grau maior de um mal muitas vezes definitivo. A homofobia vai além do sangue e da dor, ela está impregnada em nossa cultura - nas piadas que revelam a mentalidade das pessoas, nas personagems de beeshas caricatas da televisão, que hoje mais constragem do que divertem, no estereótipo de loucas varridas e desequilibradas que carregam as travestis e transexuais... Um episódio recente trouxe à luz a ignorância que se mescla com o machismo e a homofobia, envolvendo a estrela internacional do futebol, o jogador Ronaldo. Não interessa mais se ele transou ou não, porque o mais triste foi ler e escutar a mídia dizer "os travestis", quando claramente aquelas pessoas têm uma identidade de gênero feminina, seguido do acinte de usar o nome de registro civil. Enfim, um total desconhecimento, um completo deboche e desserviço aos valores da convivência respeitosa de uma sociedade que se reivindica como democrática. Um show bizarro que reacende e perpetua o preconceito e a alienação. E os políticos homofóbicos que proliferam nos programas e noticiários da TV do Brasil? Não é apenas o fato de que são conservadores, eles são nocivos aos gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. Quando usam o microfone e vociferam contra a criminalização da homofobia, eles mancham suas mãos com nosso sangue, porque compactuam para que uma pessoa GLBT seja humilhada, ofendida e cruelmente atacada, sendo que a cada três dias uma é morta . E como se não bastassem, tais políticos têm espaço em diversas esferas de poder... Isso nos faz lembrar que é também pelo voto que se combate a homofobia, pois, como não chegariam ao poder se nós os denunciássemos. Não podemos economizar nossas vozes numa hora como esta, temos que ainda muito para gritar. Precisamos sair às ruas de mãos dadas, mostrar que enquanto se anseia por um beijo às 21h na TV, nós já nos beijamos porque temos pleno direito a manifestar nosso afeto e amor. O simulacro nada muda, só maquia. Gritaremos para protestar pela falta de legislação que nos proteja, para que o Brasil também deixe de ser um verdadeiro inferno para os GLBT... Fazer com que adolescente tenham educação sexual adequada nos colégios e aprendam a conviver e a respeita o colega gay, lésbica, bi ou trans... Que os pais não mais se assustem ao quando um filho ou filha sai do armário... Que a mídia deixe de nos ver como exóticos, como escandalosos, como seres desprezíveis. Enfim, neste dia 17 o drinque pode descer amargo e torto, pois durante o gole nos lembraremos que - no exato momento alguém morre - aquela que perde a vida por travesti, transexual, lébisca, bissexual ou gay continua sendo portadora de dignidade e de direitos inalienáveis. Marcelo Hailer, da Coordenação do CORSA, como contribuição da entidade ao 17 de maio, Dia Internacional de Combate à Homofobia |
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| Fonte: Grupo Corsa | ||