| sexta-feira, 6 de junho de 2008 | ||
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O presidente foi recebido no Centro de Convenções Brasil 21, com festa pelos dos participantes. É o primeiro evento no mundo organizado por iniciativa governamental. Ministro Vannuchi abre discursos das autoridades Secretário Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vanucchi, foi o primeiro a falar saudando a ocasião como “noite histórica”, relembrando toda a trajetória de construção da conferência nacional por meio das Conferências Estaduais que reuniram mais de 10 mil pessoas por todo o país. Lembrou que essa iniciativa ocorre dentro das comemorações dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela ONU em dezembro de 1948. Vanucchi citou a violência como um sério problema que a população enfrenta resultando em uma morte a cada três dias por crime de homofobia no país, o que somam mais de cem mortes por ano. "Nesse encontro o País cresce mais um pouco como exemplo de democracia que consegue avançar em Direitos Humanos, a cada mês e a cada ano depois de quatro séculos de escravidão. Queremos hoje acabar com a escravidão da homofobia, queremos declarar que a homofobia é incompatível com a democracia", discursou Vannuchi. Livre Orientação Sexual O presidente Lula também defendeu o direito à livre orientação sexual das pessoas. “Ninguém pergunta a opção sexual de vocês quando vão pagar imposto de renda,. Por que, então, discriminar na hora em que vocês livremente escolhem o que querem fazer com o corpo de vocês”, completou, arrancando aplausos da platéia em vários momentos. Ao falar que já foi vítima de preconceito, Lula citou as críticas que sofreu quando usou boné do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em um evento. Ele ainda tirou fotos com boné e a bandeira do movimento GLBT. “Vou colocar todos [bonés], porque somente assim vou quebrar preconceitos”, afirmou Lula, acrescentando que não é fácil para nenhum presidente da República participar de eventos “que envolvam um setor tão grande, tão heterogêneo e tão vítima de preconceito”. A tal ponto que ele foi questionado várias vezes, por assessores, se participaria ou não do evento. Na conferência, Lula ouviu de representantes dos GLBT várias reivindicações. Entre elas, a da criação de uma secretaria que represente o movimento e o pedido de apoio ao projeto de lei que criminaliza a homofobia. O presidente afirmou que tentará atender os pedidos, mas não deu garantias. Compromisso do Poder Executivo “No que depender do apoio do Poder Executivo e dos ministros, iremos trabalhar para que o Congresso Nacional aprove o que precisa aprovar neste país”, disse Lula.“Mas seremos honestos. Aquilo que não puder ser feito, a gente vai dizer: 'Isso aqui não dá, isso aqui não passa'”, disse, alertando que o movimento deve buscar a unidade. Interrompido diversas vezes com aplausos, palavras de ordem contra a homofobia e gritos de apoio, Lula terminou sua fala afirmando que espera as propostas que surgirão deste fórum para discuti-las dentro do governo a melhor forma de viabilizá-las. A Conferência GLBT vai até o próximo domingo (08). Hoje (06), o dia é dedicado a discussão em grupos temáticos onde os participantes formularão propostas a serem apresentadas na plenária final e discutirão as propostas vindas das conferências estaduais. Sociedade Civil marca presença A primeira foi a ativista baiana Negra Cris, representante da Rede Nacional de Negras e Negros GLBT que manifestou sua esperança de que a conferência seja um marco de luta contra a homofobia e o racismo. Num discurso contundente a presidente da Associação das Travestis da Paraíba (Astrapa), Fernanda Benvenutti, destacou o crescimento da morte das travestis por forma violenta, e exigiu do Estado uma ação de segurança para esta população. Também cobrou atitudes contra a homofobia que visem à sociedade como um todo. “Não podemos fica a mercê de uma sociedade que nos agride e que é a mesma que nos leva para cama”, bradou arrancando aplausos de todo o auditório. Durante a fala de Fernanda um grupo de travestis exibiu um grande painel com fotos de travestis assassinadas chamando a atenção e causando emoção em muitos dos presentes. O presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis), Toni Reis, encerrou o ciclo de falas da sociedade civil homenageando alguns pos pioneiros do movimento no Brasil, presentes na conferência: James Green, Marisa Fernandes, Luiz Mott e Alice Oliveira. Reis apresentou uma séria de reivindicações, entre elas o direito a doação de sangue, a criação de um Conselho Nacional GLBT, a garantia de realização bienal da conferência e principalmente o apoio governamental aos projetos de união civil estável e de crimiminalizacão da homofobia, que estão em debate no Congresso Nacional. Também reivindicou a criação de um Estatuto GLBTT que possa garantir o acesso a direitos hoje exclusivos de casais homossexuais. “Ninguém quer destruir a família de ninguém, queremos construir a nossa”, afirmou o dirigente. Ao fim do discurso pediu que a platéia gritasse o refrão que, para ele, sintetiza as idéias desta conferência: “Nem menos, nem mais. Direitos Iguais.” |
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| Fonte: SEDH | ||