SAP – Secretaria da Administração Penitenciária
No dia 06 de agosto de 2004 foi firmado o termo de convênio n°
061/2004 que, entre si, celebram o governo do Estado de São Paulo,
por intermédio da SAP -Secretaria da Administração
Penitenciária, e o GADA – Grupo de Amparo ao Doente de Aids.
A parceria prevê a cooperação da instituição
na prestação de assistência material, à saúde,
jurídica, educacional, social, religiosa, psicológica e
ao trabalho às reeducandas do CRF - Centro de Ressocialização
Feminino de São José do Rio Preto.
CRF – Centro de Ressocialização Feminino
Os Centros de Ressocialização consistem em uma iniciativa
do governo do Estado de São Paulo no sentido de favorecer o retorno
de indivíduos em situação prisional ao convívio
em sociedade. Entretanto, essa iniciativa se mostra não apenas
inovadora nos seus objetivos, mas sim e principalmente na forma como executa
os processos necessários para alcançar tais objetivos.
Seguindo essas premissas, o Centro de Ressocialização Feminino
– CRF – de São José do Rio Preto iniciou suas
atividades em 06 de agosto de 2004. A partir da implantação
de uma série de benefícios ao seu público alvo, assim
como a partir das premissas previstas pelo projeto, o CRF São José
do Rio Preto vem desenvolvendo uma série de ações
extremamente inovadoras quando se pensa em reintegração
social de mulheres que estão cumprindo pena criminal.
Uma visão integral do sujeito
A
primeira diferença que se pode perceber durante uma visita ao CRF
é a palavra usada para fazer referência aos sujeitos envolvidos
no processo: refere-se a essas mulheres como reeducandas. Essa forma de
referência demonstra que elas são vistas como sujeitos no
seu processo de reintegração social, processo esse que se
dá por meio de uma aproximação lenta e gradual com
a realidade que se constrói à sua volta. A partir dessa
visão do indivíduo enquanto agente de autotransformação,
encontramos uma série de práticas que tornam real tal transformação.
Essas práticas se dividem em três grandes ações
e buscam atuar sobre todos os aspectos importantes na transformação
da imagem que essas reeducandas têm de si, e da mesma forma, no
desenvolvimento de condições mínimas para o retorno
à convivência em sociedade.
O cuidado do corpo
O
primeiro desses três aspectos, fortemente desenvolvido no CRF São
José do Rio Preto, é a atenção destinada às
questões de saúde das reeducandas. Tal esforço prevê
assistência médica, odontológica e nutricional, garantido
por meio de uma sólida equipe da área da saúde dedicada
a atender integralmente a todas as demandas das reeducandas. Assim, o
CRF São José do Rio Preto conta com Medico, Dentista, Enfermeira
e Nutricionista para o atendimento dessa demanda.
O cuidado da mente
Como
segundo elemento desse tripé multidisciplinar sobre o qual se estrutura
o CRF São José do Rio Preto, há o desenvolvimento
de um trabalho de orientação psicológica, social
e educacional das reeducandas. Nesse sentido, percebemos um esforço
no sentido de fornecer a elas meios de transformar seus conhecimentos
sobre si e sobre o mundo, a partir de processos terapêuticos, orientação
e assistência social e educação básica e profissionalizante.
Nesse sentido, o CRF São José do Rio Preto conta com o apoio
de Psicólogo, Assistente Social e Pedagogo.
A garantia dos direitos
O
terceiro elemento transformador da inserção social dessas
mulheres se constitui a partir de uma assistência jurídica
integral a todas as demandas das internas do CRF São José
do Rio Preto. Tal assistência se dá a partir de advogados
inteiramente dedicados a tais demandas no sentido de sanar problemas jurídicos
que eventualmente surjam no decorrer do período em que as reeducandas
permanecem no CRF.
Inserção social integralizadora
A
partir desses três elementos constrói-se uma possibilidade
ímpar para as internas do CRF: a possibilidade de inserção
– gradual e controlada – no meio social que as acolherá
após o término da pena. Essa inserção se dá
a partir das possibilidades de trabalho oferecidas às reeducandas
durante o cumprimento de sua pena. Tal proposta transforma o CRF em um
grande formador de mão de obra qualificada, oferecendo às
reeducandas a oportunidade de desenvolver suas potencialidades profissionais
durante o período em que estão internas. Dessa forma, elas
deixam o CRF mais capacitadas para enfrentar as realidades do mercado
de trabalho.
Tal
proposta permite, também, que as internas exercitem o contato com
a realidade externa ao CRF por meio do acesso a bens materiais e ao dinheiro
próprio. O sistema utilizado pelo CRF para geração
de mão de obra qualificada para a pronta absorção
do mercado inclui, ainda, um esforço no sentido de garantir às
reeducandas o direito ao registro trabalhista em contratos especiais de
trabalho. Tais contratos prevêem redução de impostos
ao contratante ao mesmo tempo em que garantem, às contratadas,
os benefícios de deixar o mercado de trabalho informal antes mesmo
de terminado o período de sua pena.
Um projeto auto-sustentável
O
sistema desenvolvido no CRF São José do Rio Preto se dá
de forma a garantir um mínimo de sustentabilidade por meio de diversas
ações. Entre elas, a possibilidade de aproveitar, dentro
do próprio CRF, em acordo com suas necessidades internas, a disponibilidade
de trabalho das próprias reeducandas. Vemos, assim, muitas delas
trabalhando em áreas fundamentais ao funcionamento do próprio
CRF, desde limpeza, horta e manutenção, até áreas
técnico-administrativas como enfermagem e administração.
Para viabilizar tal sustentabilidade, o CRF lança mão das
receitas obtidas a partir do trabalho das reeducandas em empresas externas
ao CRF e, a partir de um rateio da receita obtida com o trabalho externo
remunerado, possibilita rendimentos a todas as reeducandas, o que transforma
todo e qualquer trabalho prestado ao CRF um trabalho remunerado.
Outro
fator que gera sustentabilidade é a gestão em parceria com
uma Organização Não-Governamental – ONG –
para a administração e gerenciamento do sistema administrativo
e técnico. No caso do CRF São José do Rio Preto,
a instituição filantrópica responsável pelo
gerenciamento dos colaboradores do CRF é o GADA – Grupo de
Amparo ao Doente de Aids. Sua função é gerenciar
processos que envolvem desde a definição de prioridades
para a aplicação de investimentos, até a gerência
do corpo técnico que prestará serviços às
reeducandas na área de saúde, na área social e na
área jurídica. “O alto desempenho no gerenciamento
e as isenções tributárias que o Estado concede à
Entidade possibilita redução de custos por reeducanda, que
por sua vez, volta aos cofres públicos”, explica o coordenador
técnico do GADA, Júlio César Caetano. A parte que
cabe ao Estado é a responsabilidade sobre a administração
do corpo de funcionários encarregados da área de segurança,
do pecúlio e da sub-frota do CRF.
Acesse o site do SAP: www.sap.sp.gov.br
CRF - Centro de Ressocialização Feminino de São José
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