PLANTÃO PSICOLÓGICO

Ao longo dos anos em minha vida profissional venho percebendo uma demanda crescente ao atendimento psicológico à população que tem orientações sexuais divergente ao modelo heterocêntrico; homem e mulher unidos pelo matrimônio ou com projeções nessa união. Dessas observações, e após conhecer os serviços prestados pelo GADA, é que surgiu o projeto de atendimento gratuito de plantão psicológico dentro do projeto Arco-Íris. Iniciamos, de forma voluntária, os atendimentos à população GLBTT em agosto de 2006, e desde então a procura pelo serviço vem sendo crescente e muito satisfatória.
João Silvério Trevisan, autor do livro “Devassos no paraíso”, leitura recomendada, escreveu uma crônica na revista G Magazine, ao qual, coincidentemente, aborda o sentido e o propósito do nosso trabalho nesse projeto, qualidade de vida e orientação à população assistida. Trevisan escreve:

“Um dos problemas que nós homossexuais enfrentamos, na vida social, é a ausência de interlocutores/as com quem compartilhar nossa intimidade e eleger como amigos/as. A maneira de amar que escolhemos não está na pauta da sociedade voltada para interesses heterocêntricos. Por isso, a escassez de amizades pode ser crucial, sobretudo na fase de se assumir...
A discriminação pode nos tornar bastante neuróticos/as, talvez mais do que a média da sociedade, na mesma proporção da opressão que nos atinge de modo redobrado...”


Dentre as poucas certeza que a vida nos proporciona, uma das que tenho certeza, tanto na minha vida pessoal quanto profissional, é que “em qualquer situação de desequilíbrio, de descontrole, de crise de uma pessoa, o que ela busca primeiramente é encontrar uma outra pessoa. Alguém com quem possa estabelecer um contato real, profundo, acolhedor. Uma mão estendida com a qual possa dividir o peso de sua carga, possivelmente demasiado pesada para ser carregada apenas por ela naquele momento. O mais importante ali, naquele instante, é a possibilidade da pessoa que busca ajuda se sentir acompanhada, sair de um ‘estar só”.

O trabalho no Plantão Psicológico se caracteriza pela ênfase no atendimento imediato, ou seja, numa terapia em busca de soluções (aqui-agora) e orientada para o futuro no sentido de satisfazer a(s) necessidade(s) da pessoa que procura o serviço. Assim, o serviço do plantão psicológico proporciona ao cliente:
• Ajuda no reconhecimento de problemas ou conflitos ainda não identificados;
• Ajuda na busca de soluções à problemática apresentada;
• Apoio em situação de isolamento social, “não ter com quem compartilhar”;
• Orientação e esclarecimento sobre as emoções e afetos humanos.

Os plantões psicológico vêem sendo realizados gratuitamente, através do GADA, à população GLBTT, tendo duas a três sessões de plantão psicológico, com o psicólogo voluntário Marcos Aurélio de O. Francheti, para que ocorra o desfecho da problemática apresentada. Caso seja necessário uma intervenção maior, os clientes são encaminhados à psicoterapia da rede pública ou privada (em acordo com o art.1 item K do código de ética profissional do psicólogo).

Marcos Aurélio de Oliveira Francheti
Psicólogo, CRP 06\ 83665