Câncer do Colo de Útero

O Colo do Útero

O útero é um órgão fibromuscular em forma de pera invertida, localizado na cavidade pélvica. Recebe as tubas uterinas na região mais abaulada (cranial) e continua-se, inferiormente, com a vagina, com a qual forma usualmente um ângulo de 90 graus.  O colo do útero apresenta forma cilíndrica, com comprimento variável entre 2,5 e 3 cm. Em sua extremidade superior tem continuidade com o útero. A extremidade inferior, cônica, termina fazendo protrusão na porção superior da vagina (porção vaginal do colo).
As características anatômicas, funcionais, histológicas e patológicas tornam o colo do útero de grande importância para a saúde da mulher. Assim como o corpo do útero, acha-se tunelizado no centro, formando o canal do colo do útero (canal cervical), que tem forma cilíndrica e comunica a cavidade endometrial com a vaginal.

Os dois tipos principais de células que cobrem o colo do útero são as células escamosas (no exocervice) e as células glandulares (no endocervice). O local onde estes dois tipos de células se encontram é denominada zona de transformação, e onde a maioria dos cânceres de colo de útero se inicia.
Perto do colo do útero existem gânglios linfáticos, que fazem parte do sistema linfático.

Os principais tipos de câncer de colo do útero são: carcinoma de células escamosas e adenocarcinoma.

  • 90% dos cânceres de colo do útero são carcinomas de células escamosas. Estes cânceres se desenvolvem a partir de células do exocervix e as células cancerosas têm características de células escamosas sob o microscópio.
  • A maioria dos outros tipos de câncer colo do útero são adenocarcinomas. Os adenocarcinomas são cânceres que se desenvolvem a partir de células das glândulas. O adenocarcinoma de colo do útero se desenvolve a partir das células glandulares produtoras de muco do endocervice. Nos últimos 20 a 30 anos, os adenocarcinomas de colo do útero se tornaram cada vez mais comuns.
  • Com menos frequência estão os cânceres do colo do útero que têm características comuns aos carcinomas de células escamosas e aos adenocarcinomas, são os denominados carcinomas adenoescamosos ou carcinomas mistos.

Embora quase todos os cânceres cervicais sejam ou carcinomas de células escamosas ou adenocarcinomas, outros tipos de câncer também pode se desenvolver no útero. Por exemplo,  melanoma, sarcoma, e linfoma, que ocorrem mais frequentemente em outras partes do organismo.

 Cirurgia para Câncer de Colo do Útero

Os principais tipos de cirurgia para pré-cânceres e cânceres de colo do útero são:

  • Criocirurgia

Uma sonda de metal resfriada com nitrogênio líquido é inserida diretamente no colo do útero. Esta técnica destrói as células anormais, congelando-as. A criocirurgia não é utilizada para tratar lesões pré-cancerosas do colo do útero, mas parar tratar o câncer invasivo. Este procedimento pode ser realizado em consultório médico ou clínica.

  • Cirurgia a Laser
    Um feixe de laser é utilizado para queimar as células anormais ou remover uma amostra de tecido para análise. A cirurgia a laser é usada para tratar lesões pré-cancerosas de colo do útero, mas não em câncer invasivo. Este procedimento pode ser realizado em consultório médico ou clínica, sob anestesia local.
  • Conização
    Uma amostra de tecido em forma de cone é removida do colo do útero. Isso é feito utilizando um bisturi (biópsia em cone) ou um fio aquecido pela eletricidade (procedimento eletrocirúrgico Leep). A biópsia em cone pode ser utilizada para diagnosticar o câncer antes do tratamento complementar com cirurgia ou radioterapia.  
  • Histerectomia Simples
    Este procedimento consiste na remoção do útero (corpo do útero e colo do útero), preservando as estruturas próximas ao órgão. A vagina e os linfonodos pélvicos não são removidos. Os ovários e trompas de Falópio são normalmente preservados a menos que haja alguma outra razão para removê-los.
    Existem diferentes maneiras de fazer uma histerectomia:
    Histerectomia Abdominal. O útero é removido através de uma incisão cirúrgica na frente do abdome.
    Histerectomia VaginalO útero é removido através da vagina.
    Histerectomia Laparoscópica. O útero é removido por laparoscopia. Um tubo fino com uma pequena câmera de vídeo na extremidade (laparoscópio) é inserido em uma ou mais pequenas incisões cirúrgicas para visualizar internamente o abdome e a pelve. Pequenos instrumentos podem ser controlados através desse tubo, que permitem que o cirurgião remova o tecido a necessidade de incisões maiores no abdome.
    Histerectomia Vaginal Laparoscópica Assistida. O útero, ovários e trompas de falópio são removidos através de uma incisão vaginal usando o laparoscópio.
    Cirurgia Assistida por Robótica. Nesta abordagem, a laparoscopia é feita com instrumentos especiais controlados pelo cirurgião para realizar a cirurgia com mais precisão.
    Todos os procedimentos são realizados com anestesia local ou geral. 
    Possíveis Efeitos Colaterais. Qualquer tipo de histerectomia resulta em infertilidade. As complicações são raras, mas podem incluir hemorragia, infecção na cicatriz e problemas urinários ou intestinais.
    A histerectomia não altera a capacidade de uma mulher de sentir prazer sexual. Uma mulher não precisa do útero ou do colo do útero para atingir o orgasmo. A área em torno do clitóris e do revestimento da vagina permanecem tão sensíveis como antes da cirurgia. 
  • Histerectomia Radical
    Neste procedimento, o cirurgião retira o útero, juntamente com os tecidos próximos ao órgão e a parte superior da vagina, próxima ao colo do útero. Os ovários e trompas de Falópio não são removidos a menos que haja alguma outra razão clínica para removê-los. Esta cirurgia é normalmente realizada com uma incisão abdominal.

A histerectomia radical também pode ser feita por laparoscopia:
Histerectomia Vaginal Radical Assistida por Laparoscopia. Esta cirurgia combina a histerectomia radical vaginal com a dissecção laparoscópica pélvica. O laparoscópio permite uma melhor visualização, além de tornar mais fácil para o médico a remoção do útero, ovários e trompas de Falópio através da incisão vaginal. 
Histerectomia Radical Assistida Laparoscopicamente com Linfadenectomia. Neste procedimento abdominal também são removidos os gânglios linfáticos.
Cirurgia Laparoscópica Assistida por Robótica. É às vezes usada para histerectomia radical. Nesta abordagem, a laparoscopia é feita com instrumentos especiais controlados pelo cirurgião para realizar a cirurgia com mais precisão. Isso resulta em uma menor perda de sangue durante o procedimento e possivelmente um menor tempo de internação hospitalar do que para outros tipos de cirurgia laparoscópica, mas não está claro se os resultados a longo prazo são melhores, e sua eficácia no tratamento ainda está sendo estudada.

Possíveis Efeitos Colaterais. Como o útero é removido, esta cirurgia resulta em infertilidade. Como alguns dos nervos da bexiga são removidos, algumas mulheres têm problemas de esvaziamento da bexiga após a cirurgia e podem precisar usar um cateter por um tempo. As complicações são raras, mas podem incluir hemorragia, infecção na cicatriz e problemas urinários ou intestinais.

A histerectomia radical não muda a capacidade da mulher de sentir prazer sexual. Embora a vagina seja encurtada, a área em torno do clitóris e do revestimento da vagina permanece tão sensível como antes. 

  • Traquelectomia
    Outro procedimento, conhecido como traquelectomia radical, permite que algumas destas mulheres jovens possam ser tratadas, sem perder a fertilidade. Este procedimento remove o colo do útero e a parte superior da vagina, mas não o corpo do útero. O cirurgião coloca uma bolsa alinhavada de modo a agir como uma abertura artificial do colo do útero dentro da cavidade uterina. Os gânglios linfáticos são removidos por laparoscopia que requer outra incisão. A cirurgia é realizada por via vaginal ou abdominal.
    Após a traquelectomia, algumas mulheres engravidam e têm um período de gestação normal. O bebê nasce saudável, mas deve ser feita cesariana. 
  • Exenteração Pélvica
    Esta é uma cirurgia mais extensa utilizada para tratar a recidiva do câncer de colo de útero. Neste procedimento, são removidos os mesmos órgãos e tecidos como em uma histerectomia radical com dissecção de linfonodos pélvicos. Além disso, dependendo do local onde o câncer se disseminou, podem ser removidos o reto, bexiga, vagina e parte do cólon.
    Se a bexiga é removida, uma nova forma de armazenar e eliminar a urina serão necessários. A nova bexiga pode estar em comunicação com a parede abdominal, a urina é drenada periodicamente quando a paciente coloca um cateter numa urostomia. Ou a urina pode drenar continuamente para um saco de plástico pequeno colocado na parte anterior do abdome.
    Se o reto e parte do cólon são removidos, uma nova forma para eliminar os resíduos sólidos deve ser criada. Isto é feito comunicando o intestino remanescente à parede abdominal para que a matéria fecal passe através de uma colostomia para um saco plástico (bolsa de colostomia) usado na parte anterior do abdome. Se a vagina é removida, uma nova vagina é reconstruída cirurgicamente com enxertos.
  • Impacto Sexual de Histerectomia 

O tempo para a recuperação da exenteração pélvica é longo, de 6 meses a 1 ou 2 anos. No entanto, essas mulheres podem levar vidas felizes e produtivas. Com a prática e determinação, elas também podem preservar o desejo sexual, prazer e orgasmos.

  •  Dissecção dos Linfonodos Pélvicos

O câncer que se inicia no colo do útero pode disseminar-se para os linfonodos da pelve. Para verificar se existe disseminação linfonodal, o cirurgião remove alguns desses linfonodos. Este procedimento é conhecido como dissecção de linfonodos ou de amostragem linfonodal. É realizado ao mesmo tempo da histerectomia. A remoção dos gânglios linfáticos pode levar a problemas de drenagem linfática na perna, causando inchaço, uma condição conhecida como linfedema.

Fonte:  Instituto ONCOGUIA