Câncer de Mama

A MAMA

A glândula mamária, é um órgão par, que se situa na parede anterior do tórax, na parte superior e está apoiada sobre o músculo peitoral maior; se estende da segunda à sexta costela no plano vertical e do esterno à linha axilar anterior no plano horizontal.
A mama feminina é composta por lobos (glândulas produtoras de leite), por ductos (pequenos tubos que transportam o leite dos lobos ao mamilo) e por estroma tecido adiposo e tecido conjuntivo que envolve os ductos e lobos, vasos sanguíneos e vasos linfáticos).

A maioria dos cânceres de mama começam nas células que revestem os ductos. Alguns começam nas células que revestem os lobos, enquanto um pequeno número se inicia em outros tecidos.

Sobre o Câncer de Mama

O câncer de mama é o crescimento descontrolado de células da mama que adquiriram características anormais (células dos lobos, células produtoras de leite, ou dos ductos, por onde é drenado o leite), anormalidades estas causadas por uma ou mais mutações no material genético da célula. A doença ocorre quase que exclusivamente em mulheres, mas os homens também podem ter câncer de mama.

Embora muitos tipos de câncer de mama possam apresentar-se como um nódulo, nem todos o fazem. Existem outros sintomas  que quando percebidos a mulher deve comunicar imediatamente ao seu médico. Também é importante entender que a maioria dos nódulos na mama não são câncer, muitos podem ser benignos. Os tumores benignos de mama são crescimentos anormais, mas não se disseminam. Mas alguns nódulos benignos podem aumentar o risco da contrair câncer de mama. Qualquer alteração na mama deve ser examinada por um médico para determinar se é benigna (ou não) e se isso pode implicar em um risco para o desenvolvimento de um câncer no futuro.

Prevenção do Câncer de Mama

Prevenção de doenças é o diferimento ou eliminação das condições específicas de uma doença através de intervenções de eficácia comprovada.
A prevenção do câncer de mama é a ação tomada para reduzir a chance de contrair a doença. Portanto, prevenir o câncer de mama significa evitar os fatores de risco que aumentam as chances de desenvolver a enfermidade.

Parte da carga de prevenção do câncer de mama encontra-se com o indivíduo, que deve adotar comportamentos que minimizem o risco e ocorrência da doença, e maximizem os estados de saúde.

 

Diagnóstico do Câncer de Mama

O diagnóstico de câncer de mama somente pode ser estabelecido mediante uma biópsia de área suspeita que seja analisada por um patologista e laudada como sendo um câncer.

A realização desta biópsia, no entanto, somente ocorre em face de alguma alteração suspeita, seja no exame físico, seja na mamografia.

Quando a paciente ou o médico encontram alterações no exame físico, são solicitados exames adicionais como mamografia, ou ultrassom das mamas.
Além disso, mulheres sem alterações ao exame clínico das mamas podem ter alterações detectadas na mamografia de rotina, que deve ser realizada em todas as mulheres a partir dos 40 anos de idade.

 O rastreamento assim como a investigação diagnóstica de um nódulo palpável é feita com base na mamografia. Não há idade limite para a realização de mamografia de rastreamento, sendo que o bom senso dita que quando uma mulher tiver uma expectativa de vida curta, não faz mais sentido rastrear o câncer de mama.

No entanto, para uma mulher na qual seja palpável um nódulo, não existe limite de idade para a mamografia de investigação.

O ultrassom das mamas pode servir como complemento à mamografia, pois ajuda a diferenciar cistos de nódulos.

A ressonância magnética é recomendada para o rastreamento apenas em populações de alto risco, como pacientes com uma história familiar confirmada ou suspeita, pacientes sabidamente predispostas geneticamente ao câncer ou pacientes que já tiveram um primeiro câncer de mama.

Nas pacientes com alto risco definido com base em história familiar ou genética, a recomendação é iniciar o rastreamento aos 30 anos de idade.

Mamografia, ultrassom e ressonância magnética podem ser laudados com referência a uma classificação denominada Bi-RADS. A tabela abaixo indica o significado e a conduta em cada caso, com base no Bi-RADS:

Categoria Seguimento Proposto
Indica necessidade de imagens adicionais Imagens adicionais (Mamografia ou ressonância magnética)
Negativa: sem anormalidades Seguimento anual
Benigno: alterado, mas não suspeito Seguimento anual
Provavelmente benigno Mamografia em 6 meses
Alteração suspeita, provavelmente benigna Necessita biópsia
Altamente suspeito para malignidade Necessita biópsia
Sabidamente maligno Biópsia prévia já diagnóstica


Quando a mamografia ou ultrassom encontram alterações suspeitas, é recomendada uma biópsia.

 Em casos em que não há alterações na mama, mas sim presença de linfonodo (gânglio) aumentado na axila pode ser feita uma punção com agulha fina, com agulha grossa ou mesmo excisão cirúrgica do gânglio.

O médico patologista que analisa o material da biópsia deve idealmente conhecer os dados clínicos e a suspeita diagnóstica, e necessita de alguns dias para estabelecer o resultado diagnóstico, em função do processamento adequado do material, e da necessidade de se usar determinadas técnicas laboratoriais para este fim.

Atualmente não basta dizer que se trata de câncer de mama, pois existem diversos tipos e dentro destes, diversas características tumorais, que podem determinar de maneira distinta desde o planejamento da cirurgia, até o da quimioterapia e radioterapia ou outras terapias.

Tratamentos do Câncer de Mama

Existem vários  tratamentos para o câncer de mama que dependem do tipo e do estágio da doença:

Tratamentos Locais. A terapia local visa tratar um tumor localmente, sem afetar o resto do corpo. Os tipos de terapia local utilizados para o câncer de mama incluem:

  • Cirurgia
  • Radioterapia.


Tratamentos Sistêmicos. A terapia sistêmica se refere ao uso de medicamentos que podem ser administrados por via oral, ou diretamente na corrente sanguínea para atingir as células cancerígenas em qualquer parte do corpo. Dependendo do tipo de câncer de mama, diferentes tipos de tratamentos sistêmicos podem seu usados, incluindo:

  • Quimioterapia.
  • Terapia hormonal.
  • Terapia alvo.


A maioria das mulheres com câncer de mama fará algum tipo de cirurgia para retirar o tumor. Dependendo do tipo de câncer de mama e do estadiamento da doença, também precisará de outras formas de tratamento.

Os esquemas de tratamento típicos estão baseados no tipo de câncer de mama, no estágio e em situações especiais:

  • Câncer de mama invasivo (Estágios I a IV).
  • Carcinoma ductal in situ.
  • Carcinoma lobular in situ.
  • Câncer de mama inflamatório.
  • Câncer de mama durante a gravidez.


O esquema de tratamento de cada paciente dependerá também de outros fatores, como estado de saúde geral e preferências pessoais.
Em função das opções de tratamento definidas para cada paciente, a equipe médica deverá ser formada por especialistas, como cirurgião, oncologista e radioterapeuta. Mas, muitos outros poderão estar envolvidos durante o tratamento, como, enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais e psicólogos.
É importante que todas as opções de tratamento sejam discutidas com o médico, bem como seus possíveis efeitos colaterais, para ajudar a tomar a decisão que melhor se adapte às necessidades de cada paciente.

Tomando decisões sobre o tratamento. Discuta sempre todas as opções de tratamento para seu caso, bem como seus possíveis efeitos colaterais, para ajudar a tomar a decisão que melhor se adapte às suas necessidades.

Obtendo uma segunda opinião. É um direito seu procurar uma segunda opinião. Isso pode lhe trazer mais informações e ajudá-la a se sentir mais confiante sobre o tratamento que escolher.

Pensando em participar de um estudo clínico. Em alguns casos, pode ser a única maneira para ter acesso a novos tratamentos. Ainda assim, estudos clínicos podem não ser adequados para todos. Se você quiser saber mais sobre os estudos clínicos que podem ser adequados para você, converse com seu médico.

Considerando métodos complementares e alternativos. Estes métodos podem incluir vitaminas, ervas e dietas especiais, ou outros métodos, como acupuntura ou massagem. Os métodos complementares se referem a tratamentos usados ​​junto com seu atendimento médico regular. E os tratamentos alternativos são usados ​​em vez do tratamento médico. Embora alguns destes métodos possam ser úteis para aliviar os sintomas ou ajudar você a se sentir melhor, muitos não foram comprovados cientificamente e não são recomendados. Converse com seu médico antes de iniciar qualquer terapia alternativa.

Escolhendo interromper o tratamento. Para algumas pessoas, quando os tratamentos não estão mais controlando o câncer, pode ser hora de pesar os benefícios e riscos de continuar a tentar novos tratamentos. Se você continuar (ou não) o tratamento, ainda há coisas que você pode fazer para ajudar a manter ou melhorar a sua qualidade de vida. Algumas pessoas, especialmente se a doença está avançada, podem não querer receber mais tratamentos. Existem muitas razões pelas quais você pode decidir querer interromper o tratamento, mas é importante conversar com seus médicos antes de tomar essa decisão. Lembre-se de que mesmo se você optar por não tratar o câncer, você ainda pode receber cuidados de suporte para ajudar com a dor ou outros sintomas.

Converse com seu Médico sobre Câncer de Mama

Preparamos um roteiro de perguntas que podem lhe orientar numa conversa com seu médico. Alguns pontos são muito importantes e não devem ser deixados de lado:

No Diagnóstico

  • Qual é exatamente o tipo de câncer de mama que eu tenho?
  • Qual é a extensão da minha doença? O que isto quer dizer?
  • A doença já se disseminou para os linfonodos ou outros órgãos?
  • Qual o estadiamento da doença? Como isso afeta as opções de tratamento e o prognóstico?
  • Preciso fazer outros exames antes de definir o tratamento?
  • O tumor é receptor hormonal positivo ou negativo? O que isto significa?
  • O tumor é HER2 positivo ou negativo? O que isto significa?
  • Como esses fatores afetam as minhas opções de tratamento e meu prognóstico a longo prazo?
  • Quais são as minhas chances de sobrevida, com base no meu tipo de tumor?
  • Devo fazer testes genéticos? Qual seriam os prós e contras desses testes?
  • Como faço para obter uma cópia do meu relatório de patologia?


Antes do Tratamento

  • É importante eu procurar uma segunda opinião? Como faço isso?
  • Quais são as opções de tratamento? Estas opções têm intuito curativo?
  • Qual tratamento você recomenda? Por quê?
  • Qual é o objetivo do tratamento?
  • Em quanto tempo preciso iniciar o tratamento?
  • Quanto tempo vai durar o tratamento? Onde será realizado?
  • O que devo fazer para me preparar para o tratamento?
  • Quais os riscos e efeitos colaterais que devo esperar desse tratamento?
  • O que posso fazer para reduzir os efeitos colaterais do tratamento?
  • Devo fazer alguma alteração na minha alimentação ou no meu estilo de vida durante o tratamento?
  • Como o tratamento afetará minhas atividades diárias?
  • Poderei trabalhar durante o tratamento?
  • Meu cabelo vai cair? Em caso afirmativo, o que posso fazer?
  • Será que vou passar pela menopausa como resultado do tratamento? Eu poderei ter filhos após o tratamento? Eu poderei amamentar?
  • Quais são as chances do câncer voltar após o tratamento?
  • O que faremos se o tratamento não funcionar ou se a doença voltar?
  • Devo pensar em participar de um ensaio clínico?


Antes da Cirurgia

  • Qual cirurgia está indicada para meu caso?
  • Quais são os riscos da cirurgia? Quais as complicações?
  • A cirurgia causa dor? Como será controlada?
  • A cirurgia conservadora é uma opção para mim? Sim, não por quê?
  • Quais são os prós e contras da cirurgia conservadora versus mastectomia?
  • Você terá que retirar os linfonodos? Em caso afirmativo, você aconselharia a biópsia do linfonodo sentinela? Ou a dissecção dos linfonodos axilares? Por que?
  • Quais os efeitos colaterais da retirada dos linfonodos?
  • Qual será o tempo de internação hospitalar?
  • Será colocado um dreno no local da cirurgia?
  • Quais os riscos desses procedimentos?
  • Como eu cuidarei da cicatriz cirúrgica? Precisarei de ajuda?
  • Como ficará a cicatriz?
  • Como sentirei minhas mamas após a cirurgia? Terei sensibilidades normal nelas?
  • A cirurgia de reconstrução mamária é uma opção? O que isso significaria no meu caso?
  • Posso reconstruir a mama no momento da cirurgia? Quais os prós e contras de fazer a reconstrução imediata ou tardia?
  • Quais os tipos de reconstrução podem ser opções para o meu caso?
  • Devo conversar com um cirurgião plástico sobre as opções de reconstrução?
  • Vou precisar de uma prótese? Em caso afirmativo, onde posso conseguir a prótese?
  • Preciso parar de tomar medicamentos ou suplementos antes da cirurgia?
  • Quanto tempo após a cirurgia poderá ser iniciado o tratamento sistêmico?
  • Quanto tempo após a cirurgia posso retornar ao trabalho?
  • Vou precisar de fisioterapia após a cirurgia?
  • Quando devo retornar para uma consulta de acompanhamento?


Durante o Tratamento

  • Como saberemos se o tratamento está respondendo?
  • Quais os efeitos colaterais esperados para cada um dos tratamentos propostos?
  • O que pode ser feito para minimizar os efeitos colaterais do tratamento?
  • Com quais sintomas ou efeitos colaterais devo entrar em contato imediatamente com você?
  • Preciso mudar minha alimentação durante o tratamento?
  • Existe algum limite no que posso fazer?
  • Poderei realizar atividades físicas? Que tipo de exercício posso fazer e com que frequência?
  • Preciso de exames especiais, como exames de imagem ou exames de sangue? Com que frequência?


Após o tratamento

  • Preciso de uma dieta especial após o tratamento?
  • Existe algum limite no que posso fazer?
  • O que é linfedema e quais os sinais e sintomas?
  • Tenho chances de desenvolver linfedema?
  • O que posso fazer para reduzir o risco de linfedema?
  • O que devo fazer se notar inchaço no braço?
  • Que outros sintomas devo observar? Que tipo de exercício devo fazer?
  • Quais as consequências do linfedema após o tratamento?
  • Que tipo de acompanhamento eu preciso após o tratamento?
  • Com que frequência preciso realizar exames de laboratório e de imagens para acompanhamento da doença?
  • Como saberemos se o câncer voltou? Quais seriam minhas opções se a doença voltar?
  • Poderei fazer a cirurgia de reconstrução da mama?
  • Como e quando é feita a cirurgia de reconstrução?
  • Quando poderei retornar às minhas atividades normais?
  • Se surgirem metástases, como isso influenciará o tratamento?
  • Preciso estar preocupada com a exposição ao sol?
  • Você recomenda suplementos nutricionais ou alterações na minha dieta?
  • Onde farei o  tratamento terei assistência de nutricionista?
  • A minha vida sexual será normal depois do tratamento?
  • Sou jovem e ainda quero ter filhos. O que poderá ser feito nesse sentido?
  • Os tratamentos como quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia podem afetar a fertilidade?
  • Quanto tempo após o término do tratamento poderei engravidar?
  • Aqui existe um departamento de apoio psicossocial?
  • Quanto tempo após a cirurgia eu estou liberada para a fisioterapia?
  • Você recomenda alguma leitura específica que me ajude a enfrentar todo o tratamento?
  • Existe alguma legislação própria para pacientes portadores de câncer?
  • Quais são os direitos que um paciente portador de câncer possui?


É muito importante perguntar e esclarecer todas suas dúvidas, a informação é um direito seu!

 

Acompanhamento após Tratamento do Câncer de Mama

Para algumas mulheres com câncer de mama, o tratamento pode remover ou destruir o câncer, mas chegar ao fim dele pode ser estressante. Ao mesmo tempo em que a mulher se sente aliviada com o término do tratamento, fica a preocupação de uma recidiva ou metástase. Este é um sentimento muito comum para a maioria das mulheres que tiveram câncer de mama.

Quando o tratamento termina, os médicos irão acompanhá-la de perto por alguns anos. Por isso é muito importante comparecer a todas as consultas de acompanhamento. Nestas consultas o médico sempre a examinará, conversará com você sobre qualquer sintoma que tenha apresentado, poderá pedir alguns exames de laboratório ou de imagens para acompanhamento e reestadiamento da doença.

Quase todos os tratamentos contra o câncer podem ter efeitos colaterais. Alguns podem ser temporários, mas outros podem durar muito tempo. Alguns efeitos colaterais podem até não surgir até anos após o término do tratamento. As consultas periódicas ao seu médico são um bom momento para você fazer perguntas e falar sobre quaisquer alterações ou problemas que você apresentar após o tratamento.


Cuidados durante o Acompanhamento

  • Consultas de Acompanhamento. Essas consultas serão programadas em intervalos regulares. Com o passar do tempo a frequência dessas consultas vai diminuindo, até que após 5 anos, serão anuais.
  • Mamografias. As mulheres que fizeram cirurgia da mama devem fazer mamografia anualmente. Se a cirurgia foi conservadora deve ser iniciada uns 6 meses após a cirurgia, desde que já tenha terminado a radioterapia.
  • Exames Ginecológicos. As mulheres que estão usando medicamentos hormonais, como  tamoxifeno ou toremifeno, e ainda tem útero, devem realizar exames ginecológicos anualmente uma vez que essas drogas podem aumentar o risco de câncer uterino. Este risco é maior para mulheres na pós menopausa.
  • Densidade Óssea. As mulheres que usam inibidores de aromatase, como anastrozol, letrozol ou exemestano, para câncer de mama em estágio inicial, ou se entraram na menopausa devido ao tratamento, serão monitoradas para uma possível perda óssea.
  • Outros Exames. Outros testes, como exames de sangue e exames de imagem não são uma parte padrão do acompanhamento porque não aumentam a sobrevida de uma mulher tratada para câncer de mama. Mas eles podem ser realizados caso a mulher apresente determinados sintomas ou outros achados possam sugerir uma recidiva da doença.


Se os sintomas ou exames sugerirem uma possível recidiva da doença, exames de imagem, como raios X, tomografia computadorizada, PET scan, ressonância magnética, cintilografia óssea e/ou biópsia podem ser realizadas. O médico também pode procurar células tumorais circulantes no sangue ou medir os níveis dos marcadores tumorais, como CA 15.3, CA 27.29 ou CEA. 

Recidiva

Se a doença recidivar, as opções de tratamento dependerão do local da recidiva, dos tratamentos realizados anteriormente, estado de saúde geral da paciente e preferências pessoais da paciente.

Fonte:  Instituto ONCOGUIA