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Hepatite: histórico da doença

18 novembro 2010 13.849 visitas Nenhum Comentário
 
O termo “icterícia epidêmica”, que pode estar ligado a Hepatite A, entre outras afecções que causam este sinal, já aparece mencionado nos escritos de Hipócrates, na Grécia, no século V. Já no século VIII, carta enviada pelo Papa Zacarias a São Bonifácio, recomendava que os pacientes com icterícia fossem isolados dos outros sem doença, já mostrando o caráter infeccioso da doença.

Já no período contemporâneo, durante a campanha de vacinação antivariólica, ocorreram vários casos de icterícia em trabalhadores alemães (1883), que foram vacinados com lotes de vacina produzido a partir de plasma humano (um dos componentes do sangue); esta foi a primeira citação sobre a correlação de hepatite com transmissão através do sangue, que foi denominada soro homóloga ou parenteral. No Séc. XX, nas décadas de 30 e 40, várias publicações relatavam a ocorrência de icterícia após vacinação contra febre amarela, também produzida utilizando plasma humano, e após transfusão de sangue ou de hemoderivados. Casos de icterícia que ocorreram durante a II Guerra Mundial estavam associados ao enorme número de transfusões sanguíneas ocorrido no período. Parte destes quadros podia ser devido às precárias condições de saneamento, que propiciam a transmissão das hepatites de transmissão fecal oral. Na década de 50 em Nova Delhi, Índia, ocorreu vários casos de hepatite ictérica após contaminação de água com esgoto, parecendo, portanto, dever-se à este mesmo tipo de infecção.

Também é desta década os primeiros relatos de icterícia em indivíduos que faziam uso de drogas injetáveis. Nos anos 70, quando o vírus que causava a hepatite soro homóloga já havia sido identificado, denominado vírus da hepatite B (VHB), sugiram os primeiros relatos levantando a hipótese de transmissão sexual por ele. Isto foi devido à observação empírica da alta prevalência da infecção em heterossexuais ou homossexuais masculinos portadores de doença sexualmente transmissível, e em parceiros sexuais de portadores do vírus B.

O primeiro vírus de transmissão oral fecal identificado foi o vírus da hepatite A em 1973 e em 1988 o vírus da hepattite E, até então denominado vírus de Não A Não B de transmissão entérica. Em 1977 foi identificado o agente Delta, componente de vírus que necessita do VHB para se multiplicar, agravando o quadro clínico quando a infecção ocorre em um individuo que já é portador do vírus B ou determinando quadro mais grave quando a infecção pelo vírus B e delta ocorre ao mesmo tempo.

Apesar da descoberta de todos estes agentes continuavam a ocorrer casos de hepatites de transmissão sangüínea com nenhum vírus identificado. Somente em 1989 foi clonado o genoma do vírus responsável, que foi denominado de vírus da hepatite C (VHC).

O crescimento da urbanização e o não acompanhamento de infra-estrutura correspondente em termos de saneamento básico e habitação possibilitaram uma grande disseminação da hepatite A. Ao mesmo tempo os acidentes de trânsito e a medicalização da sociedade contribuíram para o crescimento da transmissão da Hepatite B e C. Soma-se a isto a disponibilização de métodos diagnósticos para identificação dos agentes causadores e um problema de saúde pública aflora.

Em resposta a este quadro as primeiras medidas preventivas voltadas para a transmissão por injeção e transfusão de sangue foram tomadas e em 1978 foi publicado o decreto 12.479 de 18 de outubro, onde foi definido como obrigatórias a realização de sorologia para hepatite B, além da sífilis e chagas nos hemocentros. A partir da década de 90, com a disponibilidade de testes comerciais para identificação do vírus C, tornou-se obrigatória a inclusão da triagem sorológica também para este vírus.

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