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Planejando o plano de aula de oficinas do projeto Arte Para Todos

19 junho 2011 11.760 visitas Nenhum Comentário

Por Marlon Morelli

- O que é o plano de aula?

Plano de aula é todo o conteúdo que vamos desenvolver em uma aula. É importante dizer que uma aula pode ter a duração de um único encontro de 01h30 ou mais, como por exemplo, uma aula que necessite de quatro encontros de 01h30 cada para que se possa desenvolver o que foi programado para tal aula.
Podemos então dizer que aula é o desenvolvimento de um processo que pode ser feito em um ou mais encontros.

- Para que serve o plano de aula?

O plano de aula é importante para que tenhamos sistematizado previamente tudo o que queremos desenvolver em cada aula segundo as propostas pedagógicas do Projeto Arte Para Todos, e desta maneira estarmos de acordo com os objetivos do mesmo.

- Quais são as propostas e os objetivos do Projeto Arte Para Todos?

Propostas:

O projeto Arte Para Todos consiste de ações pedagógicas de conteúdos artísticos e culturais.
Nosso objetivo principal é contribuir no desenvolvimento da consciência humana, social e ecológica de adolescentes através da Arte.
A Arte é o nosso instrumento.
Através dela promovemos a prática da experimentação artística, a sensibilização estética e a percepção crítica.
Nosso método pressupõe estimular competências, habilidades e valores focalizando as diferentes dimensões da construção humana individual e coletiva, a saber, dimensão físico-corporal, dimensão emocional-imaginativa e dimensão lógico-simbólica.

Objetivos:
O projeto Arte Para Todos surge numa colaboração do GADA com a meta da FUNDAÇÃO CASA de fazer cumprir os direitos da criança e do adolescente em consonância com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e com o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), no texto do qual, em sua Introdução, está afirmado:

“O ECA expressa direitos da população infanto-juvenil brasileira, pois afirma o valor intrínseco da criança e do adolescente como ser humano, a necessidade de especial respeito à sua condição de pessoa em desenvolvimento, o valor prospectivo da infância e adolescência como portadoras de continuidade do seu povo e o reconhecimento da sua situação de vulnerabilidade, o que torna as crianças e adolescentes merecedores de proteção integral por parte da família, da sociedade e do Estado; devendo este atuar mediante políticas públicas e sociais na promoção e defesa de seus direitos”.

Neste sentido, as ações pedagógicas do nosso projeto vão de encontro aos Princípios e Marco Legal do SINASE, entre os quais destacam-se: “inclusão social de modo mais célere possível” dos adolescentes e, “principalmente o seu pleno desenvolvimento como pessoa” (item 9), “rede integrada de atendimento” (item 10), “descentralização político-administrativa”, “discussão aprofundada e contínua com a população em geral” (item 11).
Os aspectos metodológicos do nosso projeto também se vinculam aos Parâmetros da Gestão Pedagógica do SINASE, que diz:

“O adolescente deve ser alvo de um conjunto de ações socioeducativas que contribua na sua formação, de modo que venha a ser um cidadão autônomo e solidário, capaz de se relacionar melhor consigo mesmo, com os outros e com tudo que integra a sua circunstância e sem reincidir na prática de atos infracionais. (…) Os parâmetros norteadores da ação e gestão pedagógicas (…) devem propiciar ao adolescente o acesso a direitos e às oportunidades de superação de sua situação de exclusão, de ressignificação de valores, bem como o acesso a formação de valores para a participação na vida social”.

Desta forma, como participantes de uma aliança estratégica, compartilhamos as Diretrizes Pedagógicas do SINASE, especificamente nos pontos a saber: participação dos adolescentes na construção, monitoramento e avaliação das ações; respeito à singularidade do adolescente; presença educativa e exemplaridade; exigência e compreensão na relação educador-educando; diretividade na ação; disciplina; socialização das informações entre membros da equipe de trabalho, parceiros e colaboradores; abordagem de questões sobre diversidade étnico-racial, de gênero e de orientação sexual; incentivo da participação da família e comunidade; formação continuada dos agentes socioeducativos.

- O que precisamos sempre ter em mente quando vamos planejar uma aula?

É importante que toda vez que temos que planejar uma ou mais aulas observemos que é necessário trabalhar em cada aula as três dimensões da construção humana individual e coletiva a que se propõe o Projeto, que são:

• Dimensão físico-corporal: onde vamos promover exercícios e/ou atividades que estimule as possibilidades corporais do adolescente, tais como: consciência corporal, disciplina corporal, linguagem, expressão e leitura corporal, limites físicos entre outras.

• Dimensão emocional-imaginativa: é o momento onde vamos estimular e fomentar a criatividade, imaginação e sensibilidade do adolescente. É claro que a técnica é importante e necessária no processo de ensino e aprendizagem, mesmo em se tratando de arte, porém não devemos nos limitar a transmitir apenas a técnica. É fundamental que em determinado momento este adolescente possa ter liberdade e subsídios para a criação autônoma e espontânea, porém orientada.

• Dimensão lógico-simbólica: é o momento da elaboração e organização de todo o conteúdo da aula num objeto que expresse o potencial criativo de cada indivíduo e do grupo. Este objeto pode ser uma coreografia, um desenho, uma fotografia, uma canção, uma cena teatral, enfim, trata-se do objeto artístico produzido e compartilhado, como resultado do processo educativo.  

É importante observar neste momento, que temos que colocar as aulas de acordo com os objetivos do Projeto, dentro de cada modalidade e do educador, isto é: temos um Projeto estabelecido que tem um objetivo geral que já vimos qual é, temos que considerar também os objetivos de cada modalidade artística que certamente tem suas características próprias e por fim temos como cidadãos e arte educadores os nossos próprios objetivos pessoais com nossa arte e com nossos alunos. No entanto estes três objetivos têm que estar em sintonia, senão teremos divergências de pensamentos e propostas a ponto de tornar inviável o desenvolvimento do plano de aula e do Projeto num todo. Devemos também lembrar que as três dimensões de que falamos acima estejam presentes em cada aula.

- Fazendo o plano de aula.

Uma vez que conhecemos as propostas e objetivos do Projeto vamos agora pensar de que maneira vamos fomentar e aplicar estes nas aulas. Para isso temos que estabelecer o conteúdo de cada aula e o método de trabalho.
Sabemos então onde desejamos chegar, agora vamos escolher os caminhos para tal. Então é preciso fazer uma triagem de conteúdos, temas e proposta dentro da bagagem técnica e artística que se tem que vão ao encontro dos nossos objetivos. É claro que temos muitas experiências em nosso currículo, mas nem tudo será conveniente e proveitoso para este público neste momento e nestas circunstancias em que se encontram.
Sabemos também que devemos ter em mente a faixa etária dos nossos alunos e tudo o que isso implica. Além de todo um sistema de normas e regras dentro da instituição que atuamos.
Uma vez feita à escolha dos conteúdos das aulas precisamos pensar numa metodologia para a aplicação dos conteúdos. Neste caso, a vivência e a experiência já adquirida em campo são muito importantes na elaboração do método de trabalho. Isso poderá auxiliar quando formos pensar na postura de atuação como arte educador, estabelecendo um ambiente e ritmo propício na aplicação dos conteúdos de maneira que estes possam ser assimilados pelos adolescentes e assim fazendo cumprir nossos anseios em relação as reflexões estabelecidas nos objetivos do Projeto.

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